Da série Revisitando Olhares: Fruta estragada ( releitura texto de 2017)

 Por Caroline Martins

Você vai ao supermercado e chega à parte das frutas feliz e contente com os aromas, as cores e lembrando os doces sabores, e com aquela alegria você começa a escolher as frutas, você cheira, aperta e faz sua aposta e você realmente acredita que esteja fazendo uma boa escolha, porque ela realmente parece estar em perfeito estado e dentro de tantas opções você leva as suas preferidas e acredita ter feito a melhor escolha.

Chegando em casa você corre para guardá-las, arrumá-las na fruteira para logo mais deliciar-se com seu sabor. Quando resolve comer pega aquela mais bonita, aquela que você bateu os olhos e disse: hum... é essa. Ela parece tão saborosa, e de repente você dá a primeira mordida, então você realmente sente aquele sabor esperado, e apreciando o sabor parte para outra mordida, essa já não veio com o mesmo gosto, você estranha e analisa é quando você percebe que a fruta veio estragada, e que de tão encantada com a embalagem e o aroma você nem percebeu que ela estava quase toda estragada por dentro. E você pensa – como é possível ela parecia tão perfeita? Como posso ter me enganado?

Acredite todos somos passíveis de erros e enganos, erramos com as frutas da mesma forma que erramos com os humanos, a capa nem sempre condiz com o interior, o que parece belo e bom aos olhos nem sempre é realmente como parece, entretanto as frutas estragadas podem ser jogadas foras, os seres humanos já é outra história.

Lembre-se coração é terra sem dono, e precisamos aprender que nem todos têm a pureza e clareza que esperamos encontrar.

 


Lendo este meu olhar de 2017, sorrio com a clareza que eu já buscava. Hoje, quase psicóloga, percebo que quando a 'fruta está estragada por dentro', não é apenas sobre o erro de quem a escolheu, mas sobre aprender a aceitar que não podemos mudar a essência do que o outro nos entrega. A beleza das novas perspectivas está em aceitar a 'segunda mordida' como um dado da realidade, e não como uma falha pessoal.

Esta metáfora continua a ser uma das minhas favoritas. A 'embalagem' que nos engana é o que na clínica chamamos de projeção. O engano faz parte da experiência humana, mas a maturidade ensina-nos que não precisamos de continuar a comer a fruta depois de sentirmos o gosto amargo. Aprender a largar o que nos adoece é o maior ato de autocuidado."

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