O amadurecer e a beleza das novas perspectivas
Por Caroline Reis
Acho que, com o passar do tempo, passamos a ter
olhares diferentes para as situações do dia a dia. Começamos a perceber as
coisas como elas realmente são: diminuímos nosso ciclo de amizade e ficamos
mais sensíveis à energia alheia e à obrigação de cumprir papéis sociais. Coisas
que antes passavam batidas começam a nos incomodar ou parecem absurdas.
Com o tempo, deixamos de frequentar lugares barulhentos,
com multidões e tribos misturadas. Não é julgamento ou preconceito, é que esses
roteiros já não têm o mesmo encantamento. Nossas escolhas tomam outras
proporções. Optamos por programas mais intimistas e reservados; as viagens
ganham novas conotações e se tornam pausas necessárias.
Nesse processo, vamos adquirindo maturidade — que
não vem necessariamente com a idade, mas com as nossas escolhas. Deixamos de
ser turistas para nos tornarmos viajantes. Nos encantamos pelos lugares pela
sensação que nos trazem, e não apenas pelas festas. Apreciamos a natureza, o
silêncio e os sons que trazem paz. Caminhamos pelos detalhes das ruas, captando
o que há de melhor para construir nossas memórias.
Assistir a um filme de pijama vira um programa
10/10. Apreciar o pôr do sol, um café com as amigas (há quem diga que é
programa "60+"), cinema no meio da semana ou grupos de leitura e
vinho tornam-se momentos preciosos. Os encontros ficam mais prazerosos quando
sentamos em roda e conseguimos, de fato, olhar e ouvir uns aos outros.
Nesse caminho, temos perdas e descobertas.
Aprendemos que o importante é o hoje, e que o agora precisa ser muito bem
vivido para gerar boas lembranças.
Então, sigamos a máxima: tire foto de tudo, seja
intenso (ou "emocionado", como dizem por aí), viaje e ame muito. Seja
seletivo com suas amizades e saiba onde deposita sua energia. Não brigue;
apenas se retire de onde não cabe. Cuide-se e faça terapia. Uma pessoa com a
terapia em dia não dá permissões erradas a ninguém.



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