Infância perdida x Descoberta da Sexualidade


Em mais uma matéria que retrata o cotidiano o programa Profissão Repórter, do dia 22 de novembro de 2011, trouxe a tona um problema que vem crescendo em níveis assustadores no Brasil, Crianças que estão tendo crianças cada vez mais cedo e sem ao menos terem desfrutado de sua infância. Essas crianças estão descobrindo a vida sexual, sem terem se quer a noção de todos os cuidados necessários, crianças essas que por vontade própria engravidam interrompendo seus estudos para cuidar dos filhos.

Pergunto-me de quem é a culpa? Ou será que existe realmente um só culpado? Falta de informação, educação, influências, desejos, abusos, tantos podem ser os fatores desse problema que estão roubando a vida desses jovens. De acordo com reportagem, apresentada pelo “Profissão Repórter” ,o senso mostra que há no Brasil 43 mil meninas com menos de 14 anos que já são casadas, e o assustador é que a maioria delas por vontade própria.

Como pode uma criança ser responsável por outra criança, responsável por um lar, por administrar uma vida de casada, largar os estudos para ajudar o marido a manter o lar, com que estrutura emocional essa criança conseguirá ter responsabilidade para arcar com essas mudanças? São tantas as perguntas que não consigo responder.

Que tipo de ideia passa na cabeça dessas crianças para chegar a tal circunstância, engravidar para poder casar, engravidar só porque querem ser mãe, será que é tão fácil assim ser mãe? Será que na cabeça dessas crianças ser mãe é que nem brincar de bonecas? Minhas palavras inquietantes e desoladas se dão por um estágio assustador que me encontro, tenho crianças e adolescente na família e fico me perguntando o que seriam delas se estivessem nessa situação e me pego agradecendo a Deus por elas terem tido uma educação mais presente, onde o acesso a muitas informações as manteve conscientes das conseqüências de uma escolha assim.

Ser responsável por outra vida não é tarefa fácil e nem pode ser considerada uma brincadeira. É preciso ter estrutura financeira, emocional, familiar. Uma criança precisa de mais que amor, precisa de comida, educação, saúde. Fico temerosa quanto ao futuro tanto dessas mães precoces quanto dessas crianças, frutos de irresponsabilidades e ignorância (no sentido de ser leigo). Não quero eu julgar, nem ao menos intitular culpados e inocentes nessa história, quero eu poder acreditar que esse mundo ainda tem jeito e que essas crianças e seus frutos poderão um dia ter um futuro digno e melhor. Quero poder respirar a certeza de que tudo dará certo e que eles conseguiram vencer os obstáculos que a vida proporcionar.

Soluções, soluções quais seriam elas? Não consigo imaginar um único caminho para esse problema, porque de fora da situação só posso externar minha compaixão e meu pesar. E sei que para resolver essa situação é preciso muito mais que isso, é preciso educar, ensinar, mostrar nas atitudes, nos exemplos, dar estruturas justas para que esses jovens possam vivenciar suas descobertas cada uma há seu tempo, sem antecipações. Educação sexual, educação familiar, educação no seu amplo sentido. O que imagino eu que a bolsa família, vale gás ou qualquer bolsa dessas não possam oferecer.


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