Vulgarização feminina, diga não


 “Pereca pra frente, perereca pra trás”, “me dá, me dá patinha, me dá sua cachorrinha”, “passa nela, passa nela passa na cara dela”, ”com o fio todo enfiado”. Se você é mulher e se sentiu ofendida com essas frases imaginem ouvi-lás, em alto e bom som, nas pistas de danças das festas que freqüenta, nos pontos de ônibus, nos bares ou simplesmente a caminho do trabalho. Essas e outras frases ainda mais pejorativas compõem alguns hits de pagode que circulam pela Bahia.


Tentando minimizar, coibir ou até quem sabe acabar com esse tipo de manifestação depreciativa contra as mulheres, a deputada Luiza Maia, trouxe para discussão e aprovação o projeto de lei que vai contra a contratação de bandas de pagodes que contenham letras desse gênero. O objetivo do projeto é “a proibir o uso de recursos públicos para contratação de artistas que  em suas músicas, danças ou coregrafias desvalorizem, incentivem a violência ou exponham as mulheres a situação de constrangimento”.


Por outro lado fico a pensar, não seria a mulher um pouco culpada por todo o sucesso dessas bandas? Porque se consumimos algo assim é como se tivéssemos apoiando esse tipo de prática. Acredito que a primeira parte desse projeto, o primeiro impacto que ele precisa causar é a conscientização nas mulheres do quanto elas estão sendo ridicularizada nessas letras e danças e que é preciso que parem de consumir e comecem a repudiar esse tipo de música, não dançando, não cantando e não aceitando.


 Acho que a iniciativa da referida deputada é justa, até porque esse tipo de letra só vem aumentando e tomando mais espaço no “ramo musical” na Bahia. E olha que exportar essas melodias, swingueiras, está na moda. Longe de mim ser, ou ao menos parecer, preconceituosa quanto ao estilo musical em questão, volto-me exclusivamente para o que dizem as letras. Vale ressaltar que não são todas as bandas nem muito menos todas as músicas que passam essa imagem de vulgarização das mulheres, porém fico bastante envergonhada por saber que são as mulheres, as mesmas que nas letras são ofendidas, que consomem também esse tipo de produto.


Não é difícil ver pelas noites baianas grupos reunidos, em postos ou bares, dançando até altas horas músicas que com palavras de baixo calão, que vão descrevendo gestos, comportamentos, órgãos genitais, dentre outras coisas. Impor regras para contratos de festas públicas talvez seja um bom começo para quem sabe diminuir esse tipo de padrão que vem se instalando no mercado musical. 


Acredito que é preciso mais, é preciso que as mulheres rejeitem esse tipo de música, evitem esses tipos de danças. Não digo o pagode, me refiro especificamente às canções de cunho desrespeitoso, canções que denigram a imagem e caráter das mesmas. E que comecem a lutar por mais respeito perante a esse tipo de interpretações, que se recusem a ser vistas e tratadas como meros objetos sexuais. 


Comentários

  1. Nao tenha dúvidas de que as próprias mulheres são culpadas por isso... Sou mulher e tenho vergonha destas que não se valorizam...

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    1. Concordo pra mim o sexo e algo que fica entre quatro paredes entre voce e seu parceiro.Dai voce levar isto pro mundo da arte nas musicas na danca eu acho isso tudo muito escroto.Nao que este tema nao pode ser abordado no meio artístico mas deve se ter consciência de que o que voce faz repercutira em âmbito global.E ridículo ver esta porcaria que circula na mídia muitas vezes servindo de influencia para outras pessoas que nao sabem diferenciar um verdadeiro artista amante da arte de ima pessoa que so faz musica por dinheiro distração sem pensar no lixo que esta publicando.

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  2. Si,nós somos culpadas..e me dá uma reviravolta no estômago em ver que existe femiista defendendoe stas coisas e o funk aqui no Rio.

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