Inquietação, confusão constante



Por Caroline Martins

Como dizia Fernando Pessoa “ Metade de mim delira; metade de mim pondera ” e parece que é nessa constante divisão que vivemos. Queremos coisas, queremos ser, queremos ter , pertencer e por outro lado sabemos que nem tudo é possível e que nem sempre essas realizações dependem só de nós.

Enquanto vivemos a metade do delírio, imaginamos situações e sentimentos. Em certos momentos, ou dependendo do caso na maioria deles, vivemos de expectativas que podem vir acompanhadas de mentiras e ilusões. Umas que nós mesmo críamos, por achar que dessa forma evitaríamos sofrimento, outras  são as mentiras que aceitamos por medo de perder, mesmo não tendo a garantia de que algum dia foi nosso de verdade.

A outra metade é aquela que pondera, a parte que somos mais  justos com nós mesmos, é aqui que colocamos a razão na frente dos sentimentos, tomamos as rédeas da situação. Encaramos a situação de frente e enxergamos de certa forma até que ponto os delírios e os sentimentos nos dominam e cegam. É nessa parte que a realidade se faz presente e que caímos na real de que podemos está vivendo uma mentira por medo de parar, de perder ... simplesmente medo de encarar uma nova maneira de viver a vida, arriscando no novo.

Inquietação acredito ser a palavra mais justa para explicar o que sentimos com essa divisão entre as sensações prazerosas dos delírios e a sensatez da arte de ponderar. As duas são fortes e presentes e a todo tempo duelam entre si. Mas uma pergunta não quer calar: Já que temos noção da situação, já que sabemos a verdade por que ainda deixamos os sentimentos dominarem a razão?  A resposta talvez seja essa nossa tendência bastante forte de viver na estação do indefinido, onde é mais fácil não fazer uma escolha, onde é melhor a dúvida do que a certeza, mas chegará uma hora que iremos cansar e perceberemos que de um lado só precisaremos ficar,  perdendo o medo e arriscando numa escolha. 




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