“Um olhar na mulher que somos ou o que para alguns parecemos ser”




Por Caroline Martins


Hoje é o dia internacional da mulher, dia no qual recebemos homenagens, onde as histórias de lutas e conquistas da mulheres são reverenciadas, recebemos flores e mensagens carinhosas. Um dia onde a mulher é realmente lembrada.

Após uma boa aula de Produção Audiovisual, onde assisti a um vídeo que tratava sobre gírias, linguagem da periferia baiana, com foco nas músicas de pagode, me veio em meio a discussão uma inquietação ao lembrar como são descritas e tratadas as mulheres nessas letras de pagodes. Letras essas que ressaltam o corpo, o sexo, a pegação, que descrevem quase sempre o ato sexual e coloca a mulher numa posição de submissa, devassa, vulgar em sua maioria.

Gostaria de deixar claro que não tenho preconceito nenhum quanto ao estilo musical do pagode, o que me chama a atenção e me deixa inquieta é a forma pejorativa que as mulheres são tratadas nas letras de pagodes e as danças inventadas na maioria das canções desse estilo musical.

“Me dá ...me dá patinha...ela ela ela é uma cadela”, “rala xana no asfalto, rala xana no asfalto”, “ ela ta dançando com a calcinha toda enfiada, toda enfiada”. Infelizmente é esse tipo de letra que em melodias divertidas fazem da mulher um objeto sexual, um produto. E pior que ver o sucesso que essas músicas alcançam é ver que as mulheres, as mesmas que por elas são difamadas contribuem para sua proliferação dançando e cantando-as.

Fico a pensar se existe algum motivo, algo que leve os autores dessas músicas a usar a imagem das mulheres com esse olhar, que para mim parece machista? Porque tratar a mulher com essa forma tão grosseira e pejorativa, banalizando o sexo, o corpo e a história das mulheres não tem sentido. E as mulheres porque ainda permite esse tipo de exploração e contribuem? Isso é o que me surpreende ainda mais.

As músicas deixaram de ser divertidas, para adentrarem no campo do apelo sexual, onde a mulher é o objeto de desejo, mais também o produto, a descartável, a vulgar, a piada. Um desrespeito a sua história de conquistas por igualdades, pelos seus direitos. Será que para fazer sucesso é preciso chegar a tal ponto de espetaculização feminina?Existe tantos outros pagodes que falam de mulheres, que são bons de dançar, fazem sucesso exaltando suas qualidades e sensualidade sem apelações, sem desrespeitos.E é gostoso de dançar e curtir.

Será que não é chegada a hora das mulheres se imporem a esse tipo de degradação de imagem? Afinal de contas foram tantos anos de lutas por um espaço na sociedade e o respeito dos homens, foram tantas conquistas e muitas ainda a serem conquistadas. Por que permitir que ainda existam músicas que nos deixe numa posição contrária aos nossos anseios e objetivos?

Somos guerreiras, mães, amigas, profissionais, independentes, porque então permite que sejamos reduzidas a partes do corpo: bunda, pernas e peitos, ou que sejamos um bom rebolado, toda boa, cadelas, popuzudas, delícias, gostosas. Não precisamos provar que somos gostosas, precisamos mostrar que somos mulheres, totalmente diferentes de produto objeto.

Conscientizar-se seria um bom presente nesse dia dedicado a mulher. Transformem-se, sejam mulheres, as que sempre desejaram ser, as que merecem um dia em sua homenagem, as que conquistaram um espaço, as que querem conquistar o mundo, as que sonham e realizam, as que conseguem ser mãe, mulher, amiga.

Mulheres de verdade. Valorizem-se, sempre.





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