“Na pauta a violência”
Por Caroline Martins
Todo dia é a mesma coisa, acordo está um lindo dia, então penso mais um dia, mais uma oportunidade. Saiu à rua e vejo como o sol está brilhando, os carros enchendo as ruas, as pessoas correndo para seus compromissos, os amigos se encontrando, alguns trabalham outros estudam e a vida continua. Um dia após o outro.
Então abro o jornal e é com tristeza que me espanto a cada página. Parece que cai na realidade e acabo vendo um mundo que até algum tempo atrás para mim era distante. De 10 notícias lidas, sem exageros, 8,5 fala de violência, “morre adolescente assassinado na porta de casa”, “chacina no bairro tal”, “polícia prende quatro e mata quatro”, “marido mata esposa, pai estrupa três filhas”, “encontrado corpo de bebê jogado”. De repente sinto uma enorme vontade de gritar: “Meu Deus onde vamos parar”.
O que é que está acontecendo com os seres humanos, tudo hoje parece ser resolvido com a morte e o sofrimento do próximo. Todas as dívidas são pagas com a vida. Tenho me assustado e indignado cada vez mais. A violência vem tomando um espaço, uma dimensão jamais, pelo menos por mim, imaginada. E a mídia tem seu papel nessa tendência de espatácularização.
A violência parece está se aproximando e dominando cada vez mais, então fico a me perguntar como isso aconteceu? E a mídia tem usado esse assunto de uma forma que não sei se é para ter mais audiência, não sei se para preencher um espaço vago no jornal, ou se essa é a realidade e deve ser mostrado como ela é? E tudo isso com um forte teor sensacionalista.
Vivo me questionando se essas matérias servem de informação para manter o cidadão ciente da situação ou para promover, ensinar e propagar essa violência? Acho que todos devem e tem o direito de serem informados sobre quão assustadora e crescente está à violência, mas não creio que seja necessária a divulgação de certas cenas e nem fotos, que nos últimos tempos vem tomando um espaço cada vez maior na mídia.
Se ligarmos a TV, o que veremos é perseguição de bandidos ao vivo, é imagem de corpos alvejados cobertos por lençóis, parentes jurando vingança, debruçados nos corpos. É algo triste, pesado ruim. A violência cresceu, está invadindo e destruindo a sociedade, mas a ênfase da mídia ao expor esse assunto tem se tornado um agravante a mais. Relatar fatos é uma coisa, explicar como ele acontece e com que facilidade me parece propagar.
Será que antes de expor essas imagens seja foto ou imagem em vídeos, a mídia em questão, seja o veículo que for se preocupa de fato como isso chegará e como pelos telespectadores ou leitores serão assimiladas? Porque no mínimo essas cenas causam revoltas. A violência tratada pela mídia baiana, além de ser abusiva nas questões de imagens, é racista, é sensacionalista e brutal.
Confesso que me reservo o direito de não ler ou assistir cenas e notícias de violência. Não é uma questão de fugir do problema ou ingenuidade ao fingir que elas não existem, pois sei que ela existe, sei que acontece e como acontece só que fiz a opção de não coloca-la como parte da minha vida, não permitir que isso me faça temer viver. Não permitir que ela influencie o meu medo.
O que me inquieta na verdade é entender de fato qual o objetivo da mídia ao colocar e tratar a violência da forma que fazem atualmente? Será que ele é em prol dos telespectadores e leitores? Será que de fato eles mostram a “verdade nua e crua” como prometem?
Não é assim que vejo e não é assim que para nós ouvintes, leitores e expectadores parecem ser. O que acontece é a banalização da violência, o sensacionalismo praticado é uma tendência da busca por audiência, da disputa por espaço no cotidiano do cidadão. E pouco importa as conseqüências, o sofrimento causado, o impacto na sociedade, o importante é lucrar, é está bem no ibope, vender informação.
E sabe o que é pior, eles vendem e tem a audiência tão esperada. E para refletir pergunto: De quem é a maior parcela de culpa, da mídia que usa esse modelo de informação jornalística, ou de nós cidadãos que aceitamos e nos utilizamos deles?


Comentários
Postar um comentário